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Desenvolvimento cognitivo infantil: o guia para estimular

Tempo de leitura: 6 minutos

Por mais curioso que pareça, o sistema cerebral dos bebês é mais ativo que o dos adultos e é capaz de formar milhões de ligações logo em seus primeiros anos de vida. Por isso, conhecer as formas de incentivar essa atuação nervosa dos pequenos e garantir o seu desenvolvimento cognitivo é uma tarefa fundamental para as mamães e papais.

Confira com a Casatema um guia completo e simplificado de como lidar e estimular a tão importante cognição nas fases de recém nascido, primeira infância e pré adolescência – a evolução do pequeno será potencializada com essa abordagem especializada baseada no método Pikler e Montessoriano que ensinamos neste post!

O que é desenvolvimento cognitivo?

A cognição se refere a uma parte essencial do cérebro. Ela é responsável pelo aprendizado, armazenamento de informações e aplicação de conhecimentos, fatores que definem a inteligência de um indivíduo de forma geral.

Tudo que envolve a capacidade de atenção, memória, uso de linguagens, resolução de problemas e o raciocínio lógico-matemático está diretamente ligado à cognição!

Diante de tamanha importância, é possível compreender porque tantos especialistas e profissionais da pedagogia reforçam o quão cuidadoso deve ser o desenvolvimento da cognição nas crianças.

crianca desenhando com giz de cera

Quais as fases do desenvolvimento cognitivo?

Conhecer quais são as fases do desenvolvimento cognitivo é essencial para entender quais são as necessidades dos pequenos em cada fase. A partir disso, você pode adaptar o meio e as atividades transpassadas para as crianças de uma maneira muito certeira e produtiva, como explicam os métodos montessoriano e Pikler.

Veja quais são os estágios segundo Jean Piaget, o psicólogo e pensador suíço que mais desenvolveu estudos sobre o assunto e criou até a teoria do desenvolvimento geral da criança, detalhada a seguir:

1. Estágio sensório motor (0-2 anos)

No início da vida, os bebês começam a desenvolver a sua capacidade sensorial e motora, o que significa que a sua percepção do meio ambiente passa a ser através dos sentidos (visão, olfato, tato, paladar e audição). Como esse é o único recurso disponível nessa idade, todas as questões da vida dos bebês são resolvidas de forma prática por ele.

Isso explica porque as crianças choram quando sentem fome, sono ou mesmo quando a mãe sai de sua visão: outra característica dessa fase é que nela, os pequenos se concentram somente no presente – os pequenos não entendem ainda o conceito de passado e futuro. Assim, os bebês resolvem quaisquer objetivos (comer, dormir) com uma manifestação física como chorar ou emitir sons.

Isso não é tudo: durante esta fase, eles também iniciam o desenvolvimento de símbolos e palavras em sua mente, num processo conhecido por simbolização. Os móveis montessorianos para bebês são muito importantes para permitir que esse processo seja satisfatório, pois eles permitem uma maior autonomia e liberdade de desenvolvimento.

2. Estágio pré-operatório (2-7 anos)

Logo em seu segundo estágio de desenvolvimento, os bebês começam a explorar ainda mais a linguagem. Eles se tornam capazes de articular palavras que fazem sentido e associá-las a objetos e pessoas, mas a incoerência nas falas ainda pode estar presente. As suas representações mentais internas também evoluem, o que em alguns anos possibilitará a obtenção de um raciocínio lógico.

No entanto, aqui ele ainda não está concluído e, por isso, a visão da criança é muito centrada nela mesma. Tudo que ela diz e suas prioridades são egocêntricas, o que faz com que existam alguns problemas ao brincar com os amiguinhos, conflitos frequentes com os irmãos e até o hábito de querer comprar tudo que vê.

Todos esses são apenas reflexos da capacidade limitada de estender as suas preocupações a outras pessoas durante esse período (são comportamentos normais!), então é importante lidar com eles e focar na grande evolução cognitiva, linguística e conceitual que as crianças podem desenvolver no estágio pré-operatório.

3. Estágio operatório concreto (7-11 anos)

Nesse estágio, os comportamentos egocêntricos passam a diminuir e as crianças se tornam capazes de ver o mundo através da perspectiva do próximo. A sua argumentação também recebe melhorias, fator proporcionado pelo desenvolvimento de um pensamento e raciocínio mais lógico.

Esses pensamentos são focados sempre em questões concretas, pois as proposições abstratas ainda não podem ser compreendidas pelas crianças. Ao invés disso, elas focam em ações que existem e que podem ser observadas, aprendendo de onde as coisas vêm, como funcionam e qual o seu impacto no ambiente.

É por isso que surgem as famosas perguntas de “Por quê” – além de terem começado a entender que o mundo tem dimensões, o próprio senso moral e o código de valores das crianças passam a nascer, de forma que elas querem descobrir as motivações por trás de tudo e todos.

4. Estágio operatório formal (12 anos em diante)

O último estágio do desenvolvimento cognitivo infantil se estende até a chegada da vida adulta. Durante todo esse período, os pré-adolescentes e adolescentes estão desenvolvendo as suas capacidades mais complexas, como o pensamento abstrato e o lógico-dedutivo.

De acordo com Piaget, o seu raciocínio não se baseia mais somente em coisas palpáveis, visto que agora as crianças conseguem entender conceitos subjetivos, criar hipóteses e associar diferentes informações para criar um novo conhecimento/aprendizado.

Outros desenvolvimentos neste estágio são a sofisticação linguística e conceitual e a aquisição da reversibilidade, uma habilidade que se refere à reciprocidade das relações, a negação e aceitação e ao aparecimento de consequências a partir de suas ações.

Como estimular o desenvolvimento cognitivo?

Agora que você conhece o que se passa com as crianças em cada um de seus períodos de vida, o processo de elaborar atividades para estimular o seu desenvolvimento cognitivo fica muito mais fácil e intuitivo. Na primeira fase, aposte em atividades lúdicas que sejam repletas de sons, cores, movimentos e texturas – a caixa sensorial é perfeita para isso.

Já no segundo estágio, é essencial estimular a descentração cognitiva das crianças, que se refere ao entendimento de que o mundo não gira em sua volta. Isso pode ser conquistado por meio de atividades coletivas, então é bom evitar que a criança passe muito tempo sozinha no celular e, ao invés disso, se divirta com brincadeiras antigas com os amigos, por exemplo.

Na fase operatória concreta, as atividades montessorianas são boas opções para incentivar o desenvolvimento lógico das crianças com enigmas e processos desafiadores.

Por sua vez, a quarta fase pede apenas por uma evolução no nível de dificuldade dessas atividades: busque estimular bastante a leitura e quem sabe até cursos na internet com aulas de programação e outros tópicos que exigem boas habilidades cognitivas.

E então, gostou das nossas dicas? Se quiser descobrir mais sobre quais as capacidades das crianças em cada estágio e saber quais atividades passar para eles, leia também o nosso post sobre as tarefas domésticas adequadas por idade!

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