Atividades e brincadeiras para crianças autistas

A interação é a base de qualquer aprendizado e, para as crianças, toda interação vira brincadeira! Essa é a linguagem da infância, e com crianças no espectro autista não é diferente!

Muitos pais ou tutores de crianças do espectro autista podem considerar a interação difícil, pouco fluente e repleta de barreiras. Na realidade, essa interação é possível e deve ser incentivada, mesmo que seja diferente daquela que se estabelece com crianças de desenvolvimento típico. E você, está disposto(a) a brincar diferente?

São, na realidade, brincadeiras muito apreciadas por qualquer criança de qualquer idade. Algumas adaptações muito pontuais podem fazer toda a diferença!

Atividades sensoriais

menina sorrindo com bolhas de sabão no ar

A intenção dessas brincadeiras é que as crianças do espectro autista possam associar os momentos prazerosos, divertidos e interessantes com a interação interpessoal. Dessa maneira, entenderão que conectar-se com as outras pessoas não é apenas necessário, mas muito gostoso e divertido.

Uma dica é usar bolinhas de sabão de maneira interativa. De maneira geral, crianças sempre ficam fascinadas com as esferas flutuantes e assim fica fácil chamar sua atenção. Brinque de criar as bolinhas devagar, usando expressões faciais elaboradas e tons de voz interessantes. Nesse processo, atraia o olhar da criança para seu rosto, aproximando-se das bolinhas. Deixe que ela repita os movimentos e reaja às suas ações.

As cócegas são estímulos sensoriais muito prazerosos e interessantes que as crianças adoram. Uma característica especial dessa brincadeira é que ninguém consegue realizá-la sozinha: é impossível fazer cócegas em si mesmo! Utilize-a para estabelecer conexões relevantes e prazerosas com seu(a) pequeno(a).

Toda criança ama pular! Estabelecidos alguns limites de segurança, permita que a criança pule na cama ou sofá e acompanhe seus movimentos. O estímulo é super empolgante para a criança e faz com que ela fique da altura do seu rosto. Dessa maneira, você ficará mais próximo para interagir com suas expressões faciais.

Jogos de imitação

mãe e filha brincando de imitação

Jogos e brincadeiras de imitação são ótimos exercícios para se realizar todos os dias! Para variar, existem diversas opções.

Por causa dos neurônios espelho, as crianças de desenvolvimento típico já aprendem a imitar sozinhas, desde a primeira infância. Em crianças do espectro, essa habilidade deve ser construída de maneira voluntária, com muito estímulo e incentivo. Por que não fazer isso de maneira divertida?

Essas atividades podem ser essencialmente simples – como imitar um som, um movimento, a maneira de bater em uma almofada – ou mais elaboradas, como aquele velho joguinho de “morto ou vivo”.

Realizar coreografias também é muito divertido, criativo e se utiliza principalmente da capacidade de imitação. Em geral, todas as danças exigem uma imitação motora de um estímulo sonoro; se você dançar junto, a brincadeira fica ainda mais completa!

Brincadeiras de pega-pega

Simples, animado, cheio de movimento e muito mais interativo do que pensamos: o pega-pega pode ser um exercício incrível para incentivar a conexão interpessoal em seu filho autista.

Comece no papel do “pegador”. Para que a criança fuja de você, ela deverá entender sua linguagem corporal e responder a ela. Incentive a expectativa e exagere nos gestos. Depois, se a criança estiver receptiva e corresponder ao seu movimento, mostre que agora você é quem foge. Essa troca é elaborada e valiosa ao desenvolvimento, além de ser muito legal e gastar muita energia!

Dicas gerais para interação com crianças autistas

Busque o contato visual do pequeno

No momento de mostrar brinquedos, livros e imagens, aproxime-os do seu rosto e explique tudo com olhos nos olhos, explorando expressões faciais e tons de voz variados. Esse exercício é precioso ao indivíduo autista;

Entre no clima

Não imponha uma forma única de brincar! Brincadeira só é de verdade se for livre, multifacetada e mutável. Permita que a criança te conduza por suas preferências e embarque na fantasia dela, imitando-a e reagindo ao que ela faz – isso incentiva a autonomia e mostra à criança que brincar e interagir é prazeroso. Não coloque ideias próprias sobre a brincadeira o tempo todo!

Cuidado com estímulos excessivos

Crianças autistas costumam apresentar menor tolerância aos sons, toques e imagens. Por isso, evite sons muito altos, texturas desagradáveis e imagens muito impactantes. Respeite seus limites.

Não use palavras demais

A atenção dividida dos indivíduos no espectro autista costuma ser menos desenvolvida. Isso significa que é mais difícil para a criança autista ouvir alguém falando enquanto brincam. Por isso, falar muitas coisas em uma só frase também pode ser exasperante, fazendo com que o pequeno deixe de prestar atenção em você.

Para aliviar os estímulos verbais e permitir que a criança absorva uma informação por vez, utilize poucas palavras por frase. Para saber quanto dizer, acompanhe o nível de verbalização da criança: para indivíduos que falam apenas uma palavra, use apenas uma palavra em cada momento; se a criança diz duas palavras, use duas palavras também.

Para crianças não verbais, acompanhe e reaja à brincadeira dela com onomatopéias – os sons engraçados que imitam barulhos do dia a dia: tic tac do relógio, vrum vrum do carro, tibum do pulo na piscina… Enfim, elas adoram e frequentemente reagem, estabelecendo contatos muito ricos!

Lembre-se: o autismo é só uma das características da criança. No momento da brincadeira, esqueça um pouco dos métodos e exercícios e aproveite para conhecer melhor a personalidade de seu filho ou aluno. Relaxe, deixe que a criança se divirta e valorize sua felicidade. Descubra o que ela gosta ou não, suas particularidades e jeitinhos próprios de brincar.

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